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    Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

     A essa hora dos mágicos cansaços,

     Quando a noite de manso se avizinha,

     E me prendesses toda nos teus braços...

     Quando me lembra: esse sabor que tinha

     A tua boca... o eco dos teus passos...

     O teu riso de fonte... os teus abraços...

     Os teus beijos... a tua mão na minha... Se tu viesses quando, linda e louca,

     Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

     E é de seda vermelha e canta e ri E é como um cravo ao sol a minha boca...

     Quando os olhos se me cerram de desejo...

     E os meus braços se estendem para ti...



     Florbela Espanca

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    Deixa dizer-te os lindos versos raros


     Que a minha boca tem pra te dizer!

     São talhados em mármore de Paros

     Cinzelados por mim pra te oferecer.

     Têm dolência de veludos caros,

     São como sedas pálidas a arder...

     Deixa dizer-te os lindos versos raros

     Que foram feitos pra te endoidecer!

     Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...

     Que a boca da mulher é sempre linda

     Se dentro guarda um verso que não diz!

     Amo-te tanto! E nunca te beijei...

     E nesse beijo, Amor, que eu te não dei

     Guardo os versos mais lindos que te fiz!

     Florbela Espanca

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